Doctor Who e as visões pessimistas sobre o trabalho



Aproveitando que maio é o mês em que se comemora o Dia do Trabalho, achei oportuno compartilhar algumas reflexões sobre episódios de Doctor Who e suas visões pessimistas a respeito de questões pertinentes a esse tema.

Em “The Rebel Flesh” e “The Almost People”, episódios da 6ª temporada, temos uma trama que se passa em um mosteiro desativado no século XXII, local que agora funciona como uma mineradora de ácido. Na fábrica, o 11º Doutor, Amy e Rory descobrem a tecnologia da carne programável, que permite criar clones chamados Gangers, criados para assumirem tarefas perigosas. 

Apesar das diferentes possibilidades de discussão, a trama desses episódios pode ser interpretada como uma crítica aos excessos do capitalismo e à forma como esse sistema busca desvincular o ser humano da própria identidade. Mais do que isso, fica a reflexão sobre como o sistema enxerga o produção como mais importante do que o trabalhador e os limites do capitalismo para manter as engrenagens em pleno funcionamento.

Em “Kerblam!”, uma mensagem misteriosa chega em uma entrega para a Doutora, levando ela e seus companions a investigar uma lua-depósito que orbita Kandoka, local onde fica a maior loja da galáxia: Kerblam. O episódio aborda como a modernização dos ambientes de trabalho pode impactar o trabalho humano. Em outras palavras, quanto mais tecnologia, menos pessoas são consideradas necessárias para trabalhar. E, como era de se esperar, parte da população reage negativamente a isso, já que apenas 10% da força de trabalho era humana, uma cota conquistada após muitos protestos.

A discussão vai ainda mais longe quando um funcionário insatisfeito com esse contexto decide quebrar o sistema de dentro, recorrendo a medidas drásticas para provocar mudanças, mesmo que o preço pago por isso seja alto demais. Isso pode servir como metáfora para temas bastante atuais, como o avanço da inteligência artificial e os riscos que ela representa para alguns setores específicos do mercado de trabalho.

Enfim, acredito que esses episódios são interessantes por trazerem à tona uma das facetas mais admiráveis da ficção científica: a capacidade de imaginar o futuro, principalmente em suas versões mais absurdas, muitas vezes com o propósito de nos fazer refletir sobre essas possibilidades e evitar que se tornem realidade.

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